Racismo: se você não fala, quem vai falar?
Caros participantes da Campanha Cultural “120 anos de Abolição – Racismo: Se você não fala, quem vai falar?”, foi lançado o livro que reune as 120 cartas selecionadas dentre as que foram publicadas neste site e enviadas via caixa postal e urnas da ação.
Abaixo seguem os nomes dos autores dos 120 depoimentos e a origem de suas contribuições.
Agradecemos mais uma vez a todos pela participação.
1. Ademiro Alves “Sacolinha” (São Paulo – SP)
2. Adriana da Silva (Ribeirão Preto – SP)
3. Alex Borges da Cruz (São Paulo – SP)
4. Alex Victor da Silva (Guareí – SP)
5. Alexandre Ribeiro da Costa (São Paulo – SP)
6. Alexandre Tarlei Ferreira (Campinas – SP)
7. Aline Matos “Verônica Aline Matos Santos” (São Paulo – SP)
8. Altamir de Souza (Internet)
9. Amanda de Almeida Martins (Internet)
10. Amanda Fortunato Araújo Sousa (Internet)
11. Ana Claudia Ferreira (Brodowski – SP)
12. Ana Paula da Silva (Jaborandi – SP)
13. Ana Paula Paz (Internet)
14. Anderson Oliveira da Silva (Sorocaba – SP)
15. Antonio Luiz Junior (São Paulo – SP)
16. Aparecida Judith Paglioni (Internet)
17. Bárbara Kevellyn F.P.A. Pessoac (São Paulo – SP)
18. Benedito Carlos Arruda (Itu – SP)
19. Brenda Eloisa da Silva Vasconcelos (Cerqueira César – SP)
20. C.R.C.F (Fundação Casa – São Paulo – SP)
21. C.R.V ( Fundação Casa – São Paulo – SP)
22. Caíque Lucas de Oliveira (Fundação Casa- São Paulo – SP)
23. Caren Cristina Felipe de Oliveira (Matão – SP)
24. Carlos José de Oliveira (São Paulo – SP)
25. Celso Amaral Silva (Internet)
26. Chaire Dali da Silva (Internet)
27. Chindalena Ferreira Barbosa (Internet)
28. Claudia Pereira da Silva Soyombo (Internet)
29. D.B.Cursino ( Fundação Casa – São Paulo – SP)
30. Daniele C.B. Veríssimo (Rio Claro – SP)
31. Débora Raquel dos Santos Alves (Campinas – SP)
32. Delvanir Alves de Souza (São Paulo – SP)
33. Denise maria Perissini da Silva (Internet)
34. Dileuza Maria M.Godoy (Mogi Mirim – SP)
35. Djacelina Chrispim (Internet)
36. Donizete Cavalcante Ruços (São Paulo – SP)
37. Edilson Pereira Nunes (Internet)
38. Edson Luiz de Almeida Costa (Internet)
39. Eduardo Tranquillo (São Paulo – SP)
40. Eliana de Lourdes Felipe (Mogi Mirim – SP)
41. Eliel Paixão de Souza (Internet)
42. Elisabete Aparecida Prado de Campos (Internet)
43. Elpídia Vitalina Pinto Damasceno (Internet)
44. Elvis Cassiano da Silva (São Paulo – SP)
45. Erick “Poodle Favelado” Silva (Santo André – SP)
46. Fábio Luis Araújo Seixas Junior (Internet)
47. Fabrício Bonassa (Internet)
48. Felipe Augusto Santana (Rio Claro – SP)
49. Fernanda de Lourdes Neachic (Itapetininga – SP)
50. Francisco Marcelo Campos Leonel (São Paulo – SP)
51. Gilsinei de Jesus Freitas (Internet)
52. Gleferson Vinicus Francisco (Fundação Casa- São Paulo – SP)
53. Gomes (Internet)
54. Guilherme Ferreira Fernandes (Franca – SP)
55. Hebert Ferreira (Internet)
56. Henrique S. da Costa (São Paulo – SP)
57. Igor Cesar de Britos (Fundação Casa- São Paulo – SP)
58. J.C.C.S – (Fundação Casa – São Paulo – SP)
59. Jair Bento Quirino (Internet)
60. Jaqueline Aparecida Schulter (São Paulo – SP)
61. Jeferson Reis de Jesus (Mogi Mirim – SP)
62. Jefferson José Simões (São Paulo – SP)
63. Jéssica da Silva Morais (Itanhaém – SP)
64. Jhonatan Vinicíus dos Santos Fernandes (Fundação casa – Franca – SP)
65. João P de Góes Fo (Campinas – SP)
66. Jonatas Martins Goes (Internet)
67. Jonathan Pablo da Silva Mendes (Miguelópolis – SP)
68. José Abílio Ferreira (Internet)
69. José Carlos Guirado Júnior (São Paulo – SP)
70. José Sebastião de Lima “Zé Lima do Boxe Taquaritinga” (Taquaritinga – SP)
71. Juliana Aparecida Ribeiro (São Carlos – SP)
72. Kamylla Santos da Silva (São Paulo – SP)
73. Kiusam Regina de Oliveira (Internet)
74. Laudelina Ferreira da Silva (Bebedouro – SP)
75. Leandro Lopes Silveira (Internet)
76. Leci Silva – Leci Brandão (São Paulo – SP)
77. Letícia Rizzi Prescilio (Internet)
78. Lucia Camargos (São Paulo – SP)
79. Luis Alberto da Silva filho (Internet)
80. Luis Carlos dos Santos Menezes (Internet)
81. Luiz Fernando Costa de Andrade (Araraquara – SP)
82. Luiz Gonzaga Vieira da Rocha (Taquaritinga – SP)
83. M.P.de S (Fundação Casa- São Paulo – SP)
84. Manoel Sena Junior (Internet)
85. Marcelo Henrique Geremias (São Paulo – SP)
86. Márcia Venâncio (São Paulo – SP)
87. Maria Antonia (Internet)
88. Maria Aparecida Bahia (Taquaritinga – SP)
89. Marisa Edite Candinho dos santos (Internet)
90. Marly Pimenta (Internet)
91. Milton da Rocha Marques júnior (Internet)
92. Natalie Aparecida Dantas Santos (Matão – SP)
93. Rafael Nepomucerno (São Paulo – SP)
94. Raquel Prescilia de Paula Santos (Praia Grande – SP)
95. Regina Barros Goulart (Internet)
96. Ricardo Dias (Internet)
97. Roci Felippe Baptista (Internet)
98. Rodrigo Vieira da Trindade (Internet)
99. Rosana Aparecida Malavazzi (Internet)
100. Rosana da Silveira (Internet)
101. Rosana Machado (Mogi Mirim – SP)
102. Rosilda Silva Souza (Internet)
103. Rubens Fortti Pereira (São Paulo – SP)
104. Sandra Aparecida Julião (São Paulo – SP)
105. Santas de Lourdes Santos Pereira (Internet)
106. Saulo Gomes de Oliveira (Guaraci – SP)
107. Severina Paulino Rodrigues (Iaras – SP)
108. Simone Cristina de Castro (Internet)
109. Suelen de Camargo (Salto – SP)
110. Svetlana Ogerzow (Lana) (Santo André – SP)
111. Tainara Mateus Moyses (Barretos – SP)
112. Tamiris C. Gomes (Matão – SP)
113. Tatiana de Carvalho Duarte (Internet)
114. Teresinha de Oliveira Marciano Costa (Caraguatatuba- SP)
115. Valter de Oliveira Alves (São Vicente – SP)
116. Vanda Maria Zanini Toledo (Internet)
117. Vera Lúcia Cirino (São Carlos – SP)
118. Victoria Lemos de Cerqueira (Internet)
119. Wagner AP. Silva Moraes (Mogi-Guaçu – SP)
120. Wesley Fábio Faustino Pereira (Piratininga – SP)
Registro, 11 de Agosto de 2008.
Gostaria de contar uma cena que eu presenciei. Isto aconteceu em 1988.
Fui trabalhar em São Paulo, e certo dia, minha patroa me mandou ir ao mercado Barateiro.
Enquanto fazia as compras, observei a entrada de uma mulher branca, bonita se acompanhada de seu esposo. Pelas roupas e jóias ela era muito rica.
Ela colocava as compras no carrinho, e de repente entra uma moça negra que, se aproxima e faz uma pergunta sobre uma mercadoria.
A senhora branca não se deu o trabalho de olhar para a moça negra, apenas se afastou e foi ao encontro de seu esposo. E junto ao pé do ouvido lhe fez algum comentário.
Essa cena me fez sentir tristeza, pela rejeição e preconceito e nunca esquecerei.
Maria de Lurdes da Silva
Registro, 11 de Agosto de 2008.
Gostaria de contar uma cena que eu presenciei. isto aconteceu em 1988.
Fui trabalhar em São Paulo, em um certo dia, minha patroa me mandou ir ao mercado Barateiro.
Enquanto fazia as compras, observei a entrada de uma mulher branca, bonita e acompanhada de seu esposo. Pelas roupas e jóias ela era muito rica.
Ela colocava as comparas no carrinho e de repente entra uma moça negra que, se aproxima e faz uma pergunta sobrea uma mercadoria.
A senhora branca não se deu o trabalho de olhar para a moça negra, apenas se afastou e foi ao encontro de seu esposo. E junto ao pé do ouvido lhe fez algum comentário.
Essa cena me fez sentir tristeza, pela rejeição e preconceito, nunca esquecerei.
Maria de Lurdes da Silva
Caros amigos, aqui estou de novo.
Passado o período de sensacionalismo deste quadro, inclusive com a exclusão do título de origem da página de entrada do site, agora podemos falar, conversar, trocar idéias e sugestões de forma mais tranquila, mais objetiva, mais honesta.
Li diversas mensagens enviadas a este quadro. Algumas excelentes, centradas, até mesmo com conteúdos filosóficos, históricos e verdadeiramente sociais.
Outras, sem lhes desmerecer, simples desabafos, em forma de prosa, umas, outras em rimas poéticas.
Entretanto, verifiquei a intromissão de pessoas que, de forma alguma, estariam preocupadas, interessadas ou mesmo que tivessem um maior conhecimento do assunto em questão: o negro, o racismo e o preconceito.
Deixo de mencionar as missivas de conteúdo espatafúrdio, desonesto, desrespeitoso, de origem definitivamente duvidosa.
Mas, no fritar dos ovos valeu a pena. Despertou-se a consciência negra, e também branca, para um problema que vem sendo camuflado, escondido, igonrado, desde a famosa Lei da Aboliçãoi dos Escravos: a inserção social e econômica do negro no Brasil.
Aí, sim, reside o nó górdio de toda a questão, que deve ser examinado com profundidade e carinho, para, melhor esclarecido, buscarmos formas de soluções.
É neste sentido que conclamo a todos que me estão lendo. Vamos continuar a debater, mas, agora, de forma objetiva, técnica e até mesmo científica para melhor lnos situarmos e encontrar soluções, pois elas existem. Depéndem de nós.
Estou ansioso por encontrar parceiros para esta empreitadada. Se quiserem fazer contato direto, os meus endereços de e-mail são: robertosimaop@ig.com.br, ou robertospaulino@hotmail.com, ou robertopaulino@yahoo.com.br.
Moro em Belo Horizonte – MG.
Abraços.
Roberto Paulino (Macaco Simão)
Racismo: se voce não fala , quem vai falar !
Negro é lindo, hum ! hum! hum !
Negro é amor, negro é amigo !
Negro foi escravo, tem alma e gingado.
Sente dor, ódio e revolta,
daí vem a lei Áurea
Guarda na memória, a historia de Zumbi,
Que negro lindo, sem medo e sem documento
sem perder a identidade, tem coragem
Negro é líder, e vira dia de consciência.
Resiste, insiste e progride !
Mesmo em carne e osso, vence a morte,
a fome e o limite do corpo !
Negro é lindo !
Compete, inventa e vence
a surra, o medo e a exclusão
Levanta, dança, joga e luta.
Brota dos asfaltos da solidão
é torturado, desafiado e está descalço
Mas luta contra a opressão.
É lindo, é atleta, é cantor
porque é artista, esportista e esconde a dor.
Dentre o gingado do som, da culinária e da oração,
Resulta versos de coração.
Desfila, brilha e ilumina, onde passa deixa impressão
de um negro lindo e preciso
capaz de chocar a opinião
Resiste, insiste e progride,
porque tem educação !
com os olhos fechado para o racismo,
e aberto para o futuro, espera inclusão
Resiste, insiste e progride,
porque acompanha a evolução
O passado é passado, o presente é presente
e o futuro a Deus pertence
Porque tem proteção !
Eloise Ana da Silva, Uma mulher Negra
Bacharel em Letras, Administração e
MBA em Gestão Pública Contemporânea,
Acredito no poder, na vontade e na evolução da minha raça,
que vem conquistando seu espaço cada vez maior na sociedade.
Faça sua parte
Voce pensa, voce pode
tenha orgulho de Voce !!
CENTRO EDUCACIONAL SESI 297
RUA MARANHÃO,630
RIBEIRÃO PRETO – SP
FONE ( 16) 3630 1601
APARECIDA MARIA CIMINO BERNARDO
aparecidamcbernardo@hotmail.com
10/051957
Rua Floriano Peixoto, 870
Apto 152 – fone ( 16) 3632 2947
Ribeirão Preto, 13 de agosto de 2008
Prezado Professor
O tempo rápido passou..Delineou, matizou entre seus percalços lembranças que gostaria de elucidar , pois foram profícuas , armazenadas nos anais da minha história ou seja numa mente preparada,transformada.
Quando discorria com a turma os fatos traiçoeiros de vidas onde fortes sobrepujavam dizia “ conhecimento é poder, pólvora incendiadora, que detona e irradia novos amanhãs”…Confesso…não entendia na dimensão que seu coração dilatava de entusiasmo, falando, lendo trechos dos livros, documentários para socializarmos e interargirmos reflexões sobre o âmago da ponte chamada “vida” entre os diferentes ou melhor entre negros e brancos.
O registro é contundente, visível, sofrível: senzala, açoites, chibatas, feitores, algemas, separação, dor, perda, cicatrizes, fome, injustiça, etc qual o aterrorizante vocábulo, para exprimir tamanha, tacanha sordidez desse ser designado homem inteligível, superior…?
Dentre os aprendizados ecoa marcante, poemas de Castro Alves; sentados alinhados, era uma época um tanto acirrada a disciplina, Era um sonho dantesco… o tombadilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros… estalar de açoite…
Tua voz sagaz, magistral, entonava vibrando os acordes da alma como a nos dizer: desperte pra dentro, quem tu és? Por que somos diferentes? Qual tua história? O que é convivência?O homem vale pela cor? Ficávamos de olhos esbugalhados com tuas histórias! Quão belas! Que saudades!
Hoje entre bancos escolares, viajo por sendas, uso recursos multimeios, mas as vagas são gigantescas, calabouços, labirintos, pensamentos disformes,vidas esmagadas, ceifadas por causa da cor gera dor, medo, intolerância…Confesso, falta a docilidade, a rigidez para decantar e ter certeza de estar acertando,como tu fizeste . Será que o tempo me dará a resposta? Mas tenho pressa? Pois vidas se perdem…E histórias se repetem…
Professor, obrigado tu me ensinar que um grande entrave, obstáculo é o preconceito racial, que separa ,segrega,fere mais que marca de gado.
Hoje tenho consciência que ser conivente não tem objetividade gerando omissão que não rima com cidadão, portanto longe de educação.
Abraços e até qualquer encontro
Aparecida Maria Cimino Bernardo
Um momento marcante em minha vida.
Um dia levada por um ato de decisão, fui visitar a casa da minha consciência.
Tinha medo do que eu poderia encontrar lá.
Fui um dia atípico chovia e fazia sol, sem perceber eu estava lá, apertando a campanhia daquela casa e ao mesmo tempo descobri-me negra.
Embora ela me fizesse vários convites, eu sempre fugia desse compromisso.
Era muito diz-que-diz. Uns diziam que a casa era mal freqüentada. Lá as pessoas adquiriam outro olhar. Outras pessoas tinham medo ou nunca visitara a casa da sua consciência. Eu fui, entrei, sentei e sai fortalecida.
Foi um dia especial para mim, vesti a roupa da coragem, passei batom da esperança e caminhei com passos firmes e decididos.
Deixei de lado os contos de fada de uma princesa que tentava me convencer que a liberdade dormia em berço esplêndido.
Fui lá e bati na porta da minha consciência, entrei e descobri-me negra. Do lado de fora as pessoas dizem que eu só falo em racismo. Depois que visitei a casa da minha consciência, não tem como me fingir de morta. Não dá para esconder das visitas que o racismo tem várias roupagens. Do lado de fora existem pessoas que nutrem o sentimento de superioridade e com isso espalham na atmosfera atraso espiritual, cultural e humano.
Por isso eu e a casa da minha consciência resolvemos não brindar, porque não se pode comemorar uma história de 120 anos de pura tortura, sem direitos humanos universais, sem que faça a imediata aplicações das ações afirmativas.
Termino porque fico sem jeito de escrever uma carta única, para vários endereçamentos.
Saudações por tornar-me negra.
Assinado: Linegra
O fator principal do racismo e preconceito racial reinante no Brasil nos dias atuais finca raízes na Bula Papal (Dum Diversas) de 1452, endereçada ao rei de Portugal, Afonso V, na qual o papa Nicolau V diz: “… nós lhe concedemos, por estes presentes documentos, com nossa Autoridade Apostólica, plena e livre permissão de invadir, buscar, capturar e subjugar os sarracenos e pagãos e quaisquer outros incrédulos e inimigos de Cristo, onde quer que estejam, como também seus reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades… e reduzir suas pessoas à perpétua escravidão, e apropriar e converter em seu uso e proveito e de seus sucessores, os reis de Portugal, em perpétuo, os supramencionados reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades, possessões e bens semelhantes…”.tudo em nome do catolicismo e mediante uma contribuição de 5% de tudo que auferisse, seria destinado à Igreja Católica. Graças a esses interesses o Continente Africano tornou-se o grande mercado fornecedor da mercadoria “seres humanos” arrancados de sua terra natal, independente de serem escravos de guerra ou não, de serem reis, rainhas, príncipes, princesas, que dominassem a arte da escrita, da tecnologia no manejo de metais naquela época, sendo uma civilização mais adiantada que os europeus. Neste contexto os povos africanos trazidos ao Brasil, no período compreendido entre 1534 a 1888, foram tratados como mercadoria, tendo o detentor deste direito de propriedade, o poder de usar, gozar, dispor inclusive da vida destes, sem respeitar a língua, as tradições, a religião, e o mais perverso de tudo, o desmantelamento da estrutura base do elo familiar. Deixando-os sem referencia de nome de família e local de origem. Hoje os afro-descendentes brasileiros são páreas em relação a sua origem. Sabem apenas que descendem de africanos, e como a África é um Continente, é impossível determinar a árvore genealógica bem como a região de origem. 13 de maio de 1888 uma lei com apenas 2 artigos, o 1º deles afirma: Nesta data extingue-se a escravidão no Brasil e o 2º Revogam-se as disposições em contrário. Como se vê não houve qualquer preocupação de estabelecer políticas com vistas a integração dos negros na Nação que até então foi construída com o sangue e suor destes. São essas as razões de origem do preconceito racial que se pratica no Brasil, promovendo cada vez mais o “apartheid social, com corte racial, especificamente contra os afro descendentes. Partindo do ponto de vista de que 50% da população brasileira hoje é afro descendente, entendemos que o caminho para encurtar esse fosso da sociedade brasileira, é promover uma 2º abolição, escrevendo os artigos, títulos e leis capítulos que faltaram na Lei Áurea. O Estatuto da Igualdade Racial que dorme na Câmara dos Deputados, em sendo aprovado poderá ser um instrumento de promoção da igualdade para os afro descendentes brasileiros, com inclusão social, sem preconceito e sem racismo.
Ademir José da Silva – Campinas-SP
À Secretaria do Estado da Cultura
Caro leitor
O dia 13 de Maio significa o dia em que a escravatura no Brasil, quando a Redentora Princesa Izabel assinou a Lei Áurea, que tal ato custou-lhe o trono. Foi o dia mais feliz para os escravos, pois eram presos, havia promessas sem cumprimento e as esperanças haviam se acabado.
Mas graças a um coração nobre e sincero de lá de cima do seu reino, a Princesa Izabel assinou essa lei, porque ela queria que todos fossem tratados igualmente, sem haver discriminação. Isso só aconteceu por causa que ela era respeitável e tinha o poder. Se ela fosse uma escrava isso não aconteceria.
Isso é o que deveria acontecer com os que estão com o cargo alto. Dar cada vez mais oportunidades para as pessoas e brigar para haver igualdades entre todos. Seja pela cor, raça, cultura,religião ou classe social.Poi se naõ fazem isso, o que estão fazendo lá em cima? A não ser que estejam ganhando sem fazer nada para favorecer todo o povo?
Se for isso, quem está errado mais do que eles que governam, somos nós, que votamos nas pessoas erradas. Temos o direito de votar em quem quisermos, só falta saber escolher e votar nas pessoas certas e dignas do nosso voto.
Infelizmente muitas pessoas sofrem com o racismo. Algumas podem até ser inteligentes, mas muitas vezes não conseguem emprego, s]ão excluídos nas escolas e faculdades. Só por terem a cor diferente. Será que todos nós temos braços, mãos, pernas e temos as mesmas necessidades iguais a eles? Ou somos de outro planeta?
Atenciosamente
Amanda
Racismo. Se você não fala, quem vai falar?
Sou negra , Diretora de escola ,formada em Pedagogia e Pós Graduada em Gestão Escolar, e vejo no negro brasileiro um novo jeito de ser,mais extrovertido, mais confiante no seu potencial porém ainda estamos longe de sermos respeitados da maneira como é preciso ser e como merecemos.
No cotidiano da escola quando acontece alguma coisa, logo se olha para um negro ou mulato primeiro, para depois questionar sobre quem foi.O negro que se vê obrigado a viver na defensiva, desafiado que é por uma sociedade que não diz que a raça negra é inteligente,que o negro é lindo.
Por isso nesses 28 anos de trabalho dedicado a educação escolar, nunca deixei de valorizar os alunos, de todas as raças, e sempre incentivo o negro que ás vezes se mostra desmotivado a continuar o estudo, a enfrentar o preconceito de cabeça erguida, pois só com muito estudo, iremos conseguir fazer a diferença .
Quando um aluno vem até minha sala falar que fulano chamou-o de negro,eu digo:
Qual é a sua cor? Você gosta de ser negro? Então eu falo do orgulho da minha cor ,de como eu me sinto sendo negra e de como este pode se sentir bem se conhecendo melhor,porque cabe a cada um de nós valorizarmos, acreditarmos na nossa raça.Preparados para conversarem com o colega que o ofendeu ouço coisas fantásticas da boca dos meninos e meninas negros da escola que dizem ao provocador que são negros sim e sentem orgulho de ser , questionam se eles têm alguma coisa contra a cor deles e outras tantas coisas.Entendem porque eu gosto do cotidiano escolar? Eu me sinto no foco do processo, onde a discriminação está presente a todo momento, pois existe uma cultura discriminatória no Brasil que passa de pai pra filho, pois com certeza, isso não se aprende na escola.
É preciso ficar atento, questionar a ausência de figuras de várias etnias em cartazes que ficam no mural, os textos e o projeto Africanidades é Legislação Nacional e está sendo cumprido nas escolas.Fora do ambiente escolar, acredito na distribuição de Cotas nas Faculdades para o negro,vejo as cotas como necessária para corrigir uma grande injustiça do passado onde irmãos foram libertados e jogados a sorte,sem distribuição de terras,sem registros de sua historia.
São Vicente, 13 de Agosto de 2008
13 de maio, o que comemorar?
Em nosso país muitas coisas precisam ser desmascaradas, como essa história de que a abolição da escravatura acabou com as desigualdades entre os povos. Pelo contrário, muita gente ainda acha que o negro é escravo e deve se submeter perante outros povos. Esse é um problema que o governo encontrará muitas dificuldades para que o índice de racismo diminua e quem sabe acabe.
Quando a lei Áurea foi assinada todos os abolicionistas e escravos ficaram felizes, pois pensaram que com o fim da escravidão, as desigualdades seriam desfeitas, inclusive o racismo. Mas como vemos hoje no Brasil, essa ainda não foi possível, ainda.
Sem mais,
Anderson
Há 120 anos atras,os brancos ou as pessoas mais ricas exploravam os negros por serem desse tipo de cor ´´negra“,eles os tornavam escravos e todos os negros deviam obedecelos ,senão eles iriam presos,numa senzala e se continuarem temendo seriam mortos.como antes não tinha polícia igual á hoje.
Mas a vida dos brancos ou ricos não era facil tanto assim,eles principalmente as crianças não tinham essas coisa chiques como :computador,etc…mas eles assim mesmo não deixavam de fazer suas obrigaçoes,liam muitos livros e passavam para o caderno.Os escravos não tinham estudo,pois só os ricos podiam estudar.
Hoje,já é bem diferente do que 120 anos atras,onde os brancos ou ricos desprazavam os negros,por sua cor e eles eram muito racistas.Mas aqui no brasil e no mundo todo,ainda existe gente assim e que essas pessoas podem mudar para melhor e eu estou escrevendo isso para que essas pessoas tenham nossão no que estão fasendo por quê o racismo é feio e devemos amar todos igualmente.
Um forte abraço de bianca!!!
Para o Jorge da antepenúltima carteira, fileira da janela.
Longos 20 anos se passaram e, o meu sentimento continua idêntico ao que eu registrei na carta que segue. Eu tinha 10 anos, você também. Eu sentava na 1a carteira da fila do meio, branca, olhos azuis, cabelos castanhos e levemente ondulados. Você sentava na antepenúltima carteira do lado da janela, gostava de olhar para fora, para ver uma menina passar e as brincadeiras dos moleques na rua. Eu gostava de olhar você e, o enxergava exatamente como eu escrevi na carta:
Oi! Eu sou a Caroline, a garota da fila do meio, 1a carteira e, quero saber o que você faz para ter dentes tão branquinhos? E seus cílios, como você consegue deixa-los tão expressivos? Porque você tem esses olhos puxadinhos? Você lembra o meu gatinho. Se eu raspasse a cabeça como você, eu ficaria um monstro mas você não, você continua lindo e, afinal porque você cortou o cabelo?
Outra coisa: como você consegue ser tão flexível na educação física, como consegue driblar tão bem no basquete e como consegue tirar notas tão boas se parece estar sempre no mundo da lua? (você nem notou que eu gosto de você).
Queria namorar você, ficarei esperando a sua resposta na saída, lá na bomboniere da tia Tereza e, se você não quiser é só não aparecer.
Estou na bomboniere, esperando há 20 anos, você não apareceu.
Queria muito saber o porque, acho que as nossas diferenças são tão iguais que só isso já seria o suficiente para nos unir eternamente.
Sou a garota branca, olhos azuis que sentava na 1a carteira da fila do meio da 5a serie D e você é o negro mais lindo que eu já vi. Estou esperando,na bomboniere, para sempre.
Clodoaldo:
Sabe aquela carta que falava de amor e incitava devaneios entre duas pessoas
obrigatoriamente diferentes? A pele branca que se fundia com a negra e o resultado era a mais pura onda orgástica que a alma de uma pessoa pode sentir?
Então, a branca sou eu e, o negro é você. Eu te amo e, a carta era para você; quando eu falei que não havia diferenças entre nós e que nós éramos iguais, era para você ler:
“ SOMOS UMA ÚNICA LUZ”, e não para voce entender que o sujeito da carta era o loirinho de olho azul mais parecido comigo que cruzou nossos caminhos naquela ocasião.
É claro que somos diferentes visualmente mas, você podia reconsiderar e tentar enxergar o que eu realmente visto sob a minha pele: AMOR.
Voce me escravizou, detém a minha posse, é meu Sr. feudal, meu capataz, minha corrente, meu tronco, minha chibata, você é a minha senzala, minha carta rasgada, minha liberdade cassada.
Queria me libertar, já que você fez a sua escolha e, não fui eu. Exijo a minha abolição de você e, só por mais uma vez, vou lhe dizer que te amo e, que se fosse necessário e possível, me derreteria para ficar ao menos como você acha que eu deveria ser; derreteria minha alma, meu pudor, minhas boas intenções e, ficaria aos seus pés esperando um beijo seu.
Que cruel você foi ao entregar a carta naquele dia para o meu marido, mas ele nunca vai saber dessa historia que você terminou antes mesmo de começar. Só mora dentro de mim.
Serei sempre sua, mesmo que você não queira, eternamente apaixonada, Áurea.
O meu nome é: Maria Teresa Ribeiro e, através deste, venho relatar sobre minha irmã.
Nascia na cidade de Sorocaba-SP, uma criança negra, que viria a ser chamada de Maria Claudete Ribeiro.
Cresceu, e foi em busca de seu sonho: tornar-se Manequim Profissional. Com as economias que tinha como empregada doméstica, foi à São Paulo-Capital, fazer o teste para o Curso de Manequim. Das 100 canditadas, apenas 35 foram escolhidas e ela estava entre elas. Para dar continuidade aos estudos do Curso e mantê-la, continuou o trabalho como empregada doméstica. Isto porque, sempre foi difícil conseguir outro trabalho.
Terminado o Curso, ela retornou à sua cidade natal, com o Certificado de Manequim Profissional; sendo a única negra na sua cidade a consegui-lo.
Ela tinha muito orgulho de ser negra e sempre procurou incutir isto nos da própria raça, valorizando-os e incentivando-os a ir em frente.
Em razão de sua beleza e possuir o Curso, foi, juntamente com mais moças brancas, convidada a participar de um desfile nos Estados Unidos. Conseguiu obter o passaporte, mas, foi negado o visto; somente à ela, as demais conseguiram.
Hoje, ela já não faz mais parte desta vida. Partiu feliz, porque conseguiu alcançar e transmitir os seus objetivos. Está em paz, mas, na minha lembrança, permanece guardada em minha mente e coração: por ser negra, ela não pôde realizar o sonho de desfilar fora do nosso país.
Relato este episódio, contando, também, que guardo o seu passaporte. Temos que lutar pelos nossos ideais, e mostrarmos que, apesar da cor, somos todos iguais. Pois, sou negro e sou forte e, sou filho da sorte.
Obrigado.
Americana, 11 , agosto, 2008
Natalia Fontes Mendes,
A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”.
Ou seja, ele propõe um racismo invertido. Em vez do branco excluir o negro, o negro que deve excluir o branco, como forma de vingança ao sofrimento secular e a discriminação que sabemos que ainda existe.
Vergonhosa ele ter dito isso. Tem quem defenda a discriminação de brancos só porque eles fizeram isso contra os negros, mas não faz sentido aplicar este tipo de política hoje em dia. Não estou falando isso porque sou branco, mas não acredito que se acabará com a desigualdade racial desfavorecem os que antes eram mais favorecidos.
Agora, qualquer ação que eu fizer, serei racista. Enquanto um negro pode me prejudicar à vontade, pois é uma reação “natural”. A ministra fez questão de enfatizar que não incitou a essa relação peculiar, e acredita que não é uma coisa boa, porém, no seu próprio depoimento está bem claro que o negro não precisa gostar do branco e não há a necessidade da convivência entre os dois.
A melhor maneira de igualar os direitos entre o branco e o negro não é insinuando que os negros têm direito de fazer o que quiser conosco.
Para finalizar, vou deixar um trecho de um texto do jornalista André Petry, que explica muito bem esse fenômeno de divisão binária racial:
“A visão da ministra Matilde sobre racismo é um descalabro monumental, mas, no fundo, dá para compreender. Porque tudo se integra perfeitamente no projeto racial . Com seus estatutos de igualdade racial escandalosamente discriminadores, com suas pesquisas raciais em escolas, com suas políticas de cotas raciais em universidades e no serviço público, o projeto do governo é forçar o Brasil a renunciar ao orgulho da mestiçagem – fonte de toda a nossa originalidade – para adotar uma versão americanizada de país bicolor, preto e branco.
Para todos
Desde os tempo de outrora os negros são escravizados. Mas será que isso foi justo? Será que é justo continuarmos afirmando sua inferioridade?
Analisemos a história de Martin Luther King, um dos principais líderes do movimento americano pelos direitos divis e defensor da resistência não violenta contra a opressão racial. Ele nasceu em Atlanta, Géorgia, no dia 15 de janeiro de 1929, em 1963 ganhou o prêmio Nobel da Paz pelo seu discurso mais famoso: “eu tenho um sonho”. Ele foi assassinado em 1968 em pleno dia de um de seus discrsos com um tiro na cabeça. Assim, penso que quando os negros devem se orgulhar, pois a história de Martin L. King é um exemplo a ser seguido, onde todos nós podemos fazer a nossa parte.
Nos dias atuais ainda existe pessoas que são racistas, mas deve ser porque são incapazes de aceitar que somos todos iguais. O racismo só ocorre porque as pessoas transformam as diferenças em desigualdades, o que considero muito errado. Para mim somos todos iguais e viva a nossa diferença!
Aluna da 7ª série da E.E. Gustavo Marcondes. Campinas/SP.
A todos aqueles cujas diferenças os faz especiais
Preconceito, alguns o exibem de uma maneira concreta, porém, às vezes, o demonstram em uma simples brincadeira. Muitas pessoas sofrem com isso, se sentem inferiores e sem auto-estima.
Temos que pensar que a diferença é um dom e temos que saber usá-lo. Afinal, porque os serem humanos tem dificuldade de aceitar o mundo com suas diferenças? Compare o mundo a um buquê de flores e pense que a beleza das flores está na sua diversidade de cores e formas. Faça do seu mundo um grande jardim e pense na beleza que cada um, com sua cor e diversidade tem pra oferecer. Não precisamos e nem devemos ser iguais, então porque continuamos não aceitando as nossas diferenças?
Vamos aproveitar esse momento dos 120 anos da abolição para pensar no assunto. Lembrar que o preconceito transfrma nossa diferença em desigualdade e permite que o homem seja explorado por outro. Isso não certo e não podemos compartilhar isso. Afinal, é a diferença que faz o homem tão especial.
Para todos
Todos temos personalidades diferentes, características diferentes e é isso que faz de nós o que somos. Na verdade o que gostaria de dizer é uma única coisa: todos somos iguais, todos somos diferentes.
E.E. Gustavo Marcondes. Campinas/SP
A todos aquelas cuja diferença os faz especiais
Preconceito é injustiça, afinal, o que há de diferente em nós? Somos todos iguais e se os branco pensassem nisso, realmente iriam sentir a dor da tristeza de se sentir excluído.
Para os negros o preconceito é uma arma que dói, que maltrata e que só sente quem já passou por isso.
Existe uma lei contra o preconceito, mas não é exatamente cumprida, o que é errado. Eu acho que todos deviam enxergar isso e pensar. Todos nós somos iguais e cada um tem que respeitar o outro.
Para mim o preconceito é a coisa mais grave de todo mundo e todos deveriam lutar contra ele.
E.E. Gustavo Marcondes – Campinas/SP
1. Panorama, 13 de Agosto de 2008
Prezado Senhor Luiz Inácio da Silva,
Com essa carta eu lhe faço um apelo em prol dos negros que sofrem preconceito, sabemos que é um assunto muito sério e vem sendo enfrentado desde antigamente.
Além disso, mesmo quando os negros foram libertos da escravidão continuou a sofrer, morrendo de fome, sendo discriminados e assim ninguém pegava-os para trabalhar.
Para os comerciantes e os coronéis, os negros eram uma simples mercadoria, deveres sim direitos não, sendo assim, então eles não tinham condições de trazer sustento digno para suas famílias.
Nos dias atuais, muitos deles ainda enfrentam essa discriminação, não conseguindo emprego, estudo e assim acabam escolhendo o caminho errado.
Por isso, senhor Presidente eu lhe peço ajuda para acabar com esse preconceito, mostrando para as pessoas que não é a cor que define o caráter de cada um de nós, mas sim quem somos por dentro.